É aquele exagero de vida pulsando, transbordando, teimando em se mostrar, apesar dos pesares. Vem com tanta volúpia e desejo, que estremece minha base, que mancha minha visão, que me ensurdece a alma. Vem como uma onda suja de mar, que se misturou a tantos outros mares, varrendo toda espécie de lixo e luxo possíveis. Meu umbigo insiste em sustentar a bunda, que vagueia pra lá e pra cá, louca por viver e dançar e pular. Aos poucos o só se mistura ao junto, juntos, juncos, numa miscelânea de cheiros, amores, pulsares, salivas e toques. Desejo irreprimível que INunda a matéria carnal e espiritual. A arte que gruda no viver, que não me deixa mais agir sem ela, sem a cor, sem o som, sem o salto e o gesto. a ativa arte do ser, o gregário, o vital. Meu cabelo fundindo ao teu, assim como os corpos negros e quentes. O calor da troca, a entrega, o charme, o chão e até o chulo. Me dispo, me deixo, flutuo entre almas, entre corpos e copos. Uma mundana espiritual que não cabe em si. Assim me faço, minha e tua.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
domingo, 7 de agosto de 2011
Alteridade virtual
Acordei um pouco à flor da pele, um pouco não. Um pouco triste e um pouco feliz. Um pouco sentimento e um pouco razão. Quis compartilhar, mas não havia ninguém por perto com quem eu pudesse trocar essa dicotomia de sensações. Hesitei, mas acabei ligando o computador. Cansada da rotina virtual, do saber da vida de todo mundo no sentido mais literal possível, fui atrás da subjetivação. Procurei meus amigos através de suas palavras. Li, reli, chorei, e me bateu uma vontade de juntar todos, poucos, e abraçá-los, beijá-los, passar horas conversando, rindo, chorando, trocando um pouco da dor que cada palavra carrega. Não estou sozinha, não tenho sentimentos e sensações exclusivos. A vida é hostil, e não estou sendo autopiedosa e todas essas coisas. É fato. Falta. Não sabemos lidar com tanta bestialidade, com tanta pancada na cabeça. Vivemos de amor, vivemos de arte. E nos aliviamos em palavras, que nos ligam as mesmas sensações, mesmas decepções, mesmo que virtualmente.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Gélidas reflexões
Dia sublime. Dia irônico. Dia de reflexões. Começou tarde e gelado, mas assim que saí da cama, comecei a refletir e aprender muita coisa. “Estou virando gente grande”, pensei, ao sair de carro, pagar a conta e fazer compras no mercado. Nunca tinha feito compras sozinha. Nunca havia estado tanto tempo sozinha. Um pouco deslocada, deslizei pelas gôndolas do supermercado. Como é difícil escolher as frutas e verduras certas, como é difícil tomar decisões. Não era mais brincadeira. Não era mais o jogo do faz-de-conta dos sete anos, no qual a gente sonha em ser adulto e decidir por si só. Agora é pra valer. Se vira nessa vida frenética que está posta pra você. Retornei na parte das frutas pelo menos três vezes, um pouco confusa, quase agitada, mas tomada por uma sensação de ‘sou dona do meu nariz e decido por meus atos’. Comprei as vagens, ricas em fibras e a beterraba, única, que me rendeu uns cinco minutos de escolha. Troquei o branco pelo integral, e o doce pelo saudável. Agora cuido de mim. Agora tenho que dar conta de mim. Paguei com meu próprio dinheiro minha primeira compra. Um marco pra mim. Tenho aprendido muito nesses dias de solidão e solitude. Tenho pensado mais, tenho sentido menos medo e mais angústia. Mais calma e menos vazio. Mais falta e mais sentido. Engraçado e triste, como a maioria das coisas da vida. A arte do encontro continua me seduzindo, os encontros, tão lindos, tão importantes, tão coloridos no meu dia cinza. O ataque de riso, que há muito não aparecia, veio com tudo, assim como o frio escrachado curitibano. Ri, amei, troquei, abracei. Alteridade é algo incrível, mais importante do que eu imaginava. O dia terminou com, novamente, reflexões. Insustentável Leveza do Ser? Movimento. Mudança. Vazio. Não sou só eu que estou nesse caminho. Outros compartilham comigo o ser, o não ter, o não ser, o querer. Mudanças, que venham de vez. Que inundem minha vida assim como o ar gélido que entra em todas as frestas possíveis.
Pra terminar, olhei pro céu e vi uma lua imensa, sorrindo, aquele sorriso amarelo, aquele sorriso irônico, sacando tudo o que tá rolando por aqui. Sorri.
Pra terminar, olhei pro céu e vi uma lua imensa, sorrindo, aquele sorriso amarelo, aquele sorriso irônico, sacando tudo o que tá rolando por aqui. Sorri.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Rio de mim
Sensação de nostalgia, que a gente só sente no último dia de viagem, quando os amigos queridos deram o abraço de despedida, quando o sol está se pondo e os carros correm em direção contrária ao táxi que nos leva ao aeroporto. O sol está se pondo, dando um toque a mais na cor de nostalgia impressa nos prédios, ruas e mar. Os pássaros escassos aparecem para dar o voo de despedida e a elegância escrachada da cidade se intensifica, tornando o tchau quase insuportável. O ciclo se fechou, uma nova vida recomeça a partir desse momento. A arte maloqueira das paredes e muros me mostram que a vida é mais do que imagino, mais do que a vivo. “A arte não fala sobre a arte, a arte fala sobre a vida”.
Os dias de caminhante despertaram uma nova noção de vida, de sentido, que havia esquecido, ou nunca soube. Redescobrir-se, reencontrar-se, perceber-se diante do outro, diante das diferenças. A arte da vida, o patchwork de relações, o estar só estando bem, o estar com o outro sendo inteiro.
As ladeiras de Santa Tereza renovaram a arte quase apagada que carrego em mim....O fervor da Lapa me reacendeu a vontade de expandir, de ser e estar. Copacabana retomou minha sensatez, minha vontade de ser sublime, de ser água, de ser mar. O centro me empurrou para a malemolência e a consciência do ser negra, ser bela, ser inteira. A favela, com seus sambas, terreiros, santos, orixás me banharam da energia vital que estava se esvaindo tão intensamente.
Renovada, sigo essa nova caminhada, sozinha, não sozinha, amada, amando. Vivendo.
Os dias de caminhante despertaram uma nova noção de vida, de sentido, que havia esquecido, ou nunca soube. Redescobrir-se, reencontrar-se, perceber-se diante do outro, diante das diferenças. A arte da vida, o patchwork de relações, o estar só estando bem, o estar com o outro sendo inteiro.
As ladeiras de Santa Tereza renovaram a arte quase apagada que carrego em mim....O fervor da Lapa me reacendeu a vontade de expandir, de ser e estar. Copacabana retomou minha sensatez, minha vontade de ser sublime, de ser água, de ser mar. O centro me empurrou para a malemolência e a consciência do ser negra, ser bela, ser inteira. A favela, com seus sambas, terreiros, santos, orixás me banharam da energia vital que estava se esvaindo tão intensamente.
Renovada, sigo essa nova caminhada, sozinha, não sozinha, amada, amando. Vivendo.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
das cores que já tive, nada mais me resta.
A nega que já foi colorida, anda sem cor. As chitas estão guardadas no fundo do armário, junto com a alegria, o sorriso, a brincadeira, o palhaço, o amor. Sobra-se agora alguém cor de nada, apagado, maior do que queria estar, mais fraca do que poderia estar, mais triste que poderia ser. Não há vontades, não há dança, não há batuques, não há planos.
Apenas lamúrias, olhos caídos, corpo amorfo, pele ressecada, alergias, desânimo...falta de coragem, falta de fé...não há mais crença de que algo vá ficar bem. Nada está bem. Eu não estou bem. Os meus não estão bem. Minha cabeça não está bem....meus pensamentos menos ainda.
Amarga, quieta, chata, feia, infeliz. É assim que tem sido. Assim que me sinto, assim que me dou. Choro, fico tonta de ver o mundo girar, girar e me derrubar.
Quem já se encantou pelas cores, agora nem se importa mais, agora nem nota mais, o quanto dói, o quanto machuca estar na escuridão de um buraco, sem coragem de sair.
Apenas lamúrias, olhos caídos, corpo amorfo, pele ressecada, alergias, desânimo...falta de coragem, falta de fé...não há mais crença de que algo vá ficar bem. Nada está bem. Eu não estou bem. Os meus não estão bem. Minha cabeça não está bem....meus pensamentos menos ainda.
Amarga, quieta, chata, feia, infeliz. É assim que tem sido. Assim que me sinto, assim que me dou. Choro, fico tonta de ver o mundo girar, girar e me derrubar.
Quem já se encantou pelas cores, agora nem se importa mais, agora nem nota mais, o quanto dói, o quanto machuca estar na escuridão de um buraco, sem coragem de sair.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
sem título, apenas dor.
Parece que nada mais faz sentido. Não sei onde estou e nem com quem estou. Tenho sentido medo de tudo, de todos, de mim. Não há mais vida, não há mais bem, não há mais saúde. Não tenho mais parentes, não tenho mais cabeça, não penso, não rio, não troco. Apenas choro, apenas dôo, apenas arranco lascas de pele do corpo, buscando na mutilação um conforto imediato. Andar tem sido difícil, carrego meu corpo mancando pelas ruas sujas de sangue e morte. Os dedos incham e não os encosto em mais nada ou ninguém. Um de meus braços caiu do meu tronco, me separou, me flagelou. Sentar já não é possível, falar muito menos. Não confio mais em ninguém. Meus maiores aliados voltaram-se contra mim. Uma ponta de desespero com angústia invade todo o meu quintal, e o céu ficou marrom, sujo, e seco. O que como me intoxica, o que vejo me choca, o que ouço me fere. O que sinto rasga meu peito, fura meus pés, arranca meus cabelos. Escrever é alívio e sacrifício. Escrevo sem coerência, sem correções. Escrevo o que a alma pede. E ponto.
sábado, 11 de junho de 2011
Objetiva
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