quinta-feira, 24 de março de 2011

Sinto

Sinto falta....
Sinto falta das mãos dadas,
Do carinho sincero,
Do fazer nada,
Do olhar,
Do toque,
Do gozo,
Do calor,
Do cheiro,
Do riso,
Do telefonema,
Do cochilo em tarde de chuva,
Do parque em tarde de sol.
Sinto falta do que já não é há tempos, sinto falta de você.....
....mesmo estando ao seu lado.
Dói, corrói, machuca meu corpo, mancha meu coração, sangra meu sentimento.
Eu que já não te sinto.

sábado, 12 de março de 2011

Inferno Astral

Ando confundindo tudo. Os sentimentos se imbricam, os problemas tornam-se um só. Estou sem chão, estou sem base. Não há porto seguro ou fortaleza. Não há nada. Minha carência só aumenta, fazendo-me sentir um cãozinho abandonado ladrando a procura de um dono. Frustro-me a cada esquina, a cada pessoa que tento demonstrar meu carinho e minha verdadeira amizade canina. Uma amiga me disse há alguns dias que nesse mundo é “cada um por si”. Ainda não compreendi, não aceito que seja assim,  e sofro desesperadamente.
O que é minha vida, pra que tudo isso? É preciso ser feliz? É possível ser feliz? Relações nos fortalecem ou enfraquecem? Qual o sentido de estar aqui, fazer tanta coisa, ou não fazer nada?
Estou tremendo, meu corpo está se partindo, ando enchendo- o de tensão e raiva. Parece que vai explodir, não vai suportar tamanha pressão. O choro é esguichado em grandes doses de sofrimento e dor...Acho que sou um cachorro sim...ladro por aí incompreendido...revirando latas, revirando gente...tentando me achar num lugar que sei que não estarei.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Mundo cão

Viver tem me doído um bocado. Quando penso que a maré brava já passou, levo uma rasteira da onda turbulenta, que é a vida. Encontros, desencontros, descobertas, perdas... A cada dia convivo com  sentimentos cada vez mais opostos, dicotômicos, polissêmicos.

Um pouco perdida, caminho pelas ruas alucinadas de gente, coisas, informações, barulhos. Me canso em poucos passos. A cabeça dói, estou saturada, novamente e prematuramente saturada.

Levo um soco, caio, tento me levantar. Cambaleante, me agarro ao primeiro objeto que se pareça um suporte, que me suporte, que me reerga. Rastejo, arranhando meu corpo no asfalto áspero e cinza. Aos poucos surgem bolhas no joelho e nas mãos. Sinto dor, estou cansada. Não tem sido fácil. Prostro-me. Alguém me ajuda a levantar. Tropeço de novo, e dessa vez, faltam-me forças para querer reagir. Sinto medo. Sinto frio. Sinto culpa. Sinto culpa. Sinto culpa. Sinto nada. Estou insegura, não quero ver ninguém, não quero conversar com ninguém, não quero a mão de ninguém.

Procuro o vento, procuro o verde. Preciso da água. Preciso do farfalhar das folhas. Quero o balanço da roupa limpa no varal, esperando a chuva tomar conta do céu há pouco ensolarado. Preciso sentir por inteiro, preciso me achar no meio de tanta confusão, de tanta incompreensão.

Caminho só, mesmo cercada de gente.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Vida em profundidade

Foi assim que o ano terminou. Foi assim que o ano começou. Pensamentos velhos permeando a mente e transformando-se em sais marinhos. Reflexões novas surgindo, me envolvendo por inteira, mergulhando em mim e lavando as velhas impurezas. Não posso dizer que ressurgi das águas, mas estou sentindo-as, aproveitando-as, me limpando e me deixando levar em suas ondas. Sinto o leve bater da água cor de terra, perpassando meus poros, fazendo minha pele amolecer e meus olhos arderem. Olho para cima, vejo o céu cor azul-celeste-anil-eterno, com flocos de nuvens destacando-se, quase abraçando meu corpo. Sinto o sol tostar, dourar, enegrecer minha pele, me ardendo, me fazendo sentir viva, completa, eu. Ouço minha respiração, profunda como meus pensamentos, sinto meu coração pulsar num ritmo andante, ‘embalante’, batucando aqui dentro, e querendo mostrar o tanto de vida que pode expandir desse corpo, que já se achava desfalecido. A vida está se mostrando cada vez mais intensa, cada vez mais sincera, cada vez mais presente. A chuva acompanha meu choro, a areia me esfolia os pés, fazendo-me sentir um leve desconforto. Sinto dor, a vida me faz sentir dor, a vida me machuca, a vida me ensina.
Sozinha. Sigo sozinha. Sinto a solidão. Ser só. Estar só. Sinto-me bem. Sinto-me inteira, novamente. Sinto que estou comigo, que estou sendo, pra mim, por mim. Essa praia tão deserta mostra-se plena de vida, tão completa. O nado, o nu, a luz, a sensação. Me toco, sublimo, transcendo. Por alguns instantes, sinto-me voando... planando sobre tudo isso.
Aos poucos retorno ao mesmo velho mundo, com as mesmas velhas coisas. Sinto-as com outra densidade, outra intensidade. Vivo, vivo de verdade. Minha lente analógica me fez mudar o foco, acertar a luz, e eternizar momentos singulares que levarei comigo nessa nova caminhada. É o ciclo. Renovação.





‎"O sol, o mar, os corais; você merece - eu disse -,
            depois de tudo o que passou. Deixe os mergulhos submarinos
                          lavarem todos os velhos resíduos". (Philip Roth em O Avesso da Vida)

domingo, 26 de dezembro de 2010

navidad

Natal. Noite convencionada como o nascimento de Cristo-Jesus-Messias. Vidas que passam meses, trimestres, semestres sem sequer trocar um telefonema, trocam agora frases feitas, abraços de plástico, mostrando toda sua original falsidade. Estou ligeiramente irritada com toda essa superficialidade. Máscara-aparência-convenção. Não estou mais para esse tipo de conduta. Sinto falta da sinceridade, das conversas de verdade, das trocas de olhares que não precisam muitas vezes de nenhum complemento verbal. Do pé no chão, da comida servida sem muita frescura, da dança e expressão corporal sendo manifestada livremente, sem censuras, sem proibições.
A CADA DIA ESTOU MAIS SOZINHA. A cada reunião sinto-me mais perdida, um tanto quanto deslocada. Não queria estar aqui (escrevo enquanto as pessoas dizem feliz natal). Não queria sentar em panos verdes e vermelhos, com luzes douradas piscando, camuflando a real falta de sintonia que está pairando cada pessoa aqui presente. Não queria sentir esse vazio. Não queria estar pensando tanto.
       hoje à noite
lua alta
       faltei
e ninguém sentiu
      a minha falta”
    (Paulo Leminski)


sábado, 18 de dezembro de 2010

deixe(m) minhas folhas voarem

eu caminhando na rua, olho um coqueiro, lembro-me de praia, mar, pele, riodejaneiro. os fios de eletricidade, que vinham em primeiro plano me deram a impressão de que o coqueiro estava amarrado, preso, incapacitado de ser. me senti como ele. sou um coqueiro amarrado por convenções, pessoas, situações, que estão me impedindo de ser. continuo olhando a imagem e vou além. sou o coqueiro, mas também os cabos-fios. eu quero lançar minhas folhas ao vento, mas sou capaz de me prender, de me impedir de ser. essa é a mais difícil das convenções. entender a profundidade do "eu mesmo". aceitar. transgredir. permitir.
continuo caminhando. imagens também estão me inspirando.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

anaLógicamente

Dual                                 Multifacetada                                   Clivada
      Dúbia      
                          Duas                  Polissêmica             Plural
          Heterogênea                                           Dicotômica

                                                                                                                    enfim.... confusa.

tenho agora uma câmera analógica que irá me tirar dessa virtualidade digital...
               É para adquirir sensibilidade, dizem.