Sensação de nostalgia, que a gente só sente no último dia de viagem, quando os amigos queridos deram o abraço de despedida, quando o sol está se pondo e os carros correm em direção contrária ao táxi que nos leva ao aeroporto. O sol está se pondo, dando um toque a mais na cor de nostalgia impressa nos prédios, ruas e mar. Os pássaros escassos aparecem para dar o voo de despedida e a elegância escrachada da cidade se intensifica, tornando o tchau quase insuportável. O ciclo se fechou, uma nova vida recomeça a partir desse momento. A arte maloqueira das paredes e muros me mostram que a vida é mais do que imagino, mais do que a vivo. “A arte não fala sobre a arte, a arte fala sobre a vida”.
Os dias de caminhante despertaram uma nova noção de vida, de sentido, que havia esquecido, ou nunca soube. Redescobrir-se, reencontrar-se, perceber-se diante do outro, diante das diferenças. A arte da vida, o patchwork de relações, o estar só estando bem, o estar com o outro sendo inteiro.
As ladeiras de Santa Tereza renovaram a arte quase apagada que carrego em mim....O fervor da Lapa me reacendeu a vontade de expandir, de ser e estar. Copacabana retomou minha sensatez, minha vontade de ser sublime, de ser água, de ser mar. O centro me empurrou para a malemolência e a consciência do ser negra, ser bela, ser inteira. A favela, com seus sambas, terreiros, santos, orixás me banharam da energia vital que estava se esvaindo tão intensamente.
Renovada, sigo essa nova caminhada, sozinha, não sozinha, amada, amando. Vivendo.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
das cores que já tive, nada mais me resta.
A nega que já foi colorida, anda sem cor. As chitas estão guardadas no fundo do armário, junto com a alegria, o sorriso, a brincadeira, o palhaço, o amor. Sobra-se agora alguém cor de nada, apagado, maior do que queria estar, mais fraca do que poderia estar, mais triste que poderia ser. Não há vontades, não há dança, não há batuques, não há planos.
Apenas lamúrias, olhos caídos, corpo amorfo, pele ressecada, alergias, desânimo...falta de coragem, falta de fé...não há mais crença de que algo vá ficar bem. Nada está bem. Eu não estou bem. Os meus não estão bem. Minha cabeça não está bem....meus pensamentos menos ainda.
Amarga, quieta, chata, feia, infeliz. É assim que tem sido. Assim que me sinto, assim que me dou. Choro, fico tonta de ver o mundo girar, girar e me derrubar.
Quem já se encantou pelas cores, agora nem se importa mais, agora nem nota mais, o quanto dói, o quanto machuca estar na escuridão de um buraco, sem coragem de sair.
Apenas lamúrias, olhos caídos, corpo amorfo, pele ressecada, alergias, desânimo...falta de coragem, falta de fé...não há mais crença de que algo vá ficar bem. Nada está bem. Eu não estou bem. Os meus não estão bem. Minha cabeça não está bem....meus pensamentos menos ainda.
Amarga, quieta, chata, feia, infeliz. É assim que tem sido. Assim que me sinto, assim que me dou. Choro, fico tonta de ver o mundo girar, girar e me derrubar.
Quem já se encantou pelas cores, agora nem se importa mais, agora nem nota mais, o quanto dói, o quanto machuca estar na escuridão de um buraco, sem coragem de sair.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
sem título, apenas dor.
Parece que nada mais faz sentido. Não sei onde estou e nem com quem estou. Tenho sentido medo de tudo, de todos, de mim. Não há mais vida, não há mais bem, não há mais saúde. Não tenho mais parentes, não tenho mais cabeça, não penso, não rio, não troco. Apenas choro, apenas dôo, apenas arranco lascas de pele do corpo, buscando na mutilação um conforto imediato. Andar tem sido difícil, carrego meu corpo mancando pelas ruas sujas de sangue e morte. Os dedos incham e não os encosto em mais nada ou ninguém. Um de meus braços caiu do meu tronco, me separou, me flagelou. Sentar já não é possível, falar muito menos. Não confio mais em ninguém. Meus maiores aliados voltaram-se contra mim. Uma ponta de desespero com angústia invade todo o meu quintal, e o céu ficou marrom, sujo, e seco. O que como me intoxica, o que vejo me choca, o que ouço me fere. O que sinto rasga meu peito, fura meus pés, arranca meus cabelos. Escrever é alívio e sacrifício. Escrevo sem coerência, sem correções. Escrevo o que a alma pede. E ponto.
sábado, 11 de junho de 2011
Objetiva
quarta-feira, 18 de maio de 2011
talvez....ou o não dito.
Papéis de chocolate espalhados pela mesa, ladeados por um pacote de rosquinhas, uma garrafa de água e um pacote de passatempo com apenas uma última passatempo. Os dias tem sido tensos.... intensos....In Tensos. Tem dias que se passam como filmes, dramas naturais ...a vida vai se mostrando assim, poética, melancólia, sutil e cheia de detalhes que enriquecem a tristeza. Tem dias que se transformam em pesadelos logo que terminam e dão lugar a noite gélida e angustiante. Tem dias que são sublimados. Até duvido que tenham existido. Tem dias que me fazem transcender, mas esses ocorrem muito vagamente, uma vez por ano. A maioria dos dias nem vejo passar, pois eles correm, são flashes em minha cabeça, em meu corpo, em meus pés. Não sinto a cor, não vejo o cheiro, não cheiro o som e não ouço o sabor. Os dias apenas piscam e se vão...sem volta...deixando a poeira do que não foi resolvido. Deixando lágrimas empoçadas. Deixando palavras a serem escritas. Deixando abraços por dar.
Os muitos cinzeiros na mesa de centro de madeira maciça, cuidadosamente limpos, me despertaram hoje um quê de poesia. Presentearam-me com uma vontade louca de eternizar o vivido por meio de palavras. A poesia do enquadramento, do preto e branco, dos ornamentos góticos da igreja matriz, me embalaram na tarde ensolarada e chuvosa de lágrimas. Sozinha cheia de poesia, cheia de símbolos que me completaram, cheia de observações da vida que se passa na calçada, das ciganas de saias coloridas, dos picaretas, do palhaço de perna-de-pau atravessando a rua correndo. Poesia cotidiana urbana cigana.
Hoje foi um dos dias-filme – poético, melancólico, sutil e cheio de detalhes....
quinta-feira, 24 de março de 2011
Sinto
Sinto falta das mãos dadas,
Do carinho sincero,
Do fazer nada,
Do olhar,
Do toque,
Do gozo,
Do calor,
Do cheiro,
Do riso,
Do telefonema,
Do cochilo em tarde de chuva,
Do parque em tarde de sol.
Sinto falta do que já não é há tempos, sinto falta de você.....
....mesmo estando ao seu lado.
Dói, corrói, machuca meu corpo, mancha meu coração, sangra meu sentimento.
Eu que já não te sinto.
sábado, 12 de março de 2011
Inferno Astral
Ando confundindo tudo. Os sentimentos se imbricam, os problemas tornam-se um só. Estou sem chão, estou sem base. Não há porto seguro ou fortaleza. Não há nada. Minha carência só aumenta, fazendo-me sentir um cãozinho abandonado ladrando a procura de um dono. Frustro-me a cada esquina, a cada pessoa que tento demonstrar meu carinho e minha verdadeira amizade canina. Uma amiga me disse há alguns dias que nesse mundo é “cada um por si”. Ainda não compreendi, não aceito que seja assim, e sofro desesperadamente.
O que é minha vida, pra que tudo isso? É preciso ser feliz? É possível ser feliz? Relações nos fortalecem ou enfraquecem? Qual o sentido de estar aqui, fazer tanta coisa, ou não fazer nada?
Estou tremendo, meu corpo está se partindo, ando enchendo- o de tensão e raiva. Parece que vai explodir, não vai suportar tamanha pressão. O choro é esguichado em grandes doses de sofrimento e dor...Acho que sou um cachorro sim...ladro por aí incompreendido...revirando latas, revirando gente...tentando me achar num lugar que sei que não estarei.
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