sexta-feira, 29 de maio de 2015

Cheiro de Lua


A importância do estar só. Estar comigo. Com meu oculto. Com as entranhas. Com as. Lembranças que fluem pelos pontos poros lagos de mim. Do que é da terra e que me completa como terra. Que expande expõem explode. Do fundo do peito esse fruto….
Apodrecer é gerar vidas, espalhar, multiplicar criações, crias. É movimento. Geração. Gestação.
Descobertas cor de ferro cheiro de lua, lua cheia. Terra e água. Que escorre, corre, morre. Jorra e empoça e caminha lentamente. Completando, enchendo, transbordando, vivendo.
A raiz enraizando no lodo terra água. Lama. Ama. La ama. Clama. Ama. Chama. Nana. Nanã. Mama. Pacha. Pachamama.


rio e também posso chorar.

terça-feira, 5 de maio de 2015

poesias de terça cheia de lua


Negra noite
negros olhos
corpos negros
negros
negra vontade
de fundir-me a você
de ti ser
ser
negra
negra noite
negra tua

                                                meia noite
                                                  pilarzinho
                                            poesia correndo solta.




Teu
meu complemento
meu completo
oposto
complementar

            

            lua cheia
            não respondo por mim
            solto-me
            sou tua
            tua completa lua

                                                                                   cabelos enredados
                                                                                     dredados
                                                                                       drenados

lua
minha lua
na tua
vermelha viva
escorrendo
sendo
crendo
lua de mim

                                  os olhos
                                  santos olhos
                                  inocentes
                                  descrentes
                                  correntes
                                  nosso comum

            
                                                                                            nossas raizes
                                                                                            Nanãs
                                                                                            terra lama charco
                                                                                                          cicatrizes


corpos
mandinga
nos olhos
nós
nos

                                                

                                            vida
                         é a cuspidinha na taça
                após a tragada no cachimbo


                                                                               tu és sangue
                                                                               vinho sorvido
                                                                               tinto
                                                                               tinindo
                                                                               tilintando poesia

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sobre a Lua, a Água e os Vales.

Água que escorre de mim como dessas pedras poderosas.
 Águas escuras, âmbar, da cor do centro da terra. Marrom, ferro, ocre.
  Água que traz emoções ancestrais.
   Água que corre, limpa, lava, preenche, tira, dói e também cura.
Transbordar de memórias, refazendas, dores, amores, temores. O zero e o não controle. reconectar e aprender tudo de novo. respeitar o silêncio e a solidão. Solitude. Plenitude em estar comigo e com meus transbordamentos, respeitando o estar só e o estar com o outro. Saber a hora de abrir e de fechar. de reconectar e aprofundar as constelações mais entranhadas do meu ser - espírito - mente - corpo - sensações. conexão com minha loba, lua, crua. sangra e jorra o líquido também ocre, marrom, ferroso. sangro como os montes da Chapada. renovando, limpando e expondo o que de mais profundo há nessa mãe - pachamama - mulher - criadora - feminina. Intuições fluindo como o vento da noite que sopra forte fazendo barulho. vento que também vem das pedreiras em conexão com o céu.
Alto e baixo. Cosmos. realidade. Integração.
          Sou como uma dessas grandes pedras femininas que carregam o mistério da terra - vida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

2 vênus em peixes


Do olho de águia que perfura qualquer superficialidade. Que atinge. Que aprofunda. Que te expande. Que abala qualquer certeza e explode em mistérios e silêncios. Os olhares, os não-olhares, os nãos e os nadas. Amplitude de possibilidades deleitando-se em uma sensação além. Oxalás e Nanãs, peixes, macacos e sóis. Espectrais, ressonantes, cores e sons que se expandem a cada troca. Pira pisciana e/ou entregas piscianas entre vênus tão semelhantes. Estruturas que se abalam para muito além de si. Dúvida e coragem. O risco de assumir o que a intuição diz. Queimando cosmos, plantando, colhendo e preparando o alimento. Dançando e brincando e pulando e sorrindo e sorrindo e rindo indo.
 
 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Peixes.


Eu gosto é do mergulho. De ponta. De cabeça. Rumo ao nada. E ao tudo. Profundo fluido azul escuro. Ondas que vibram só por existir. Por conviver. Por ser. Por estar. Fluidez de pensamentos, sensações, êxtases, piras, piras. Piras. Espiral de divagações que deslizam pela superfície mundo. Dinâmica. Escorre. Preenche. Vaza. Concentra. Flui. Voa. Nada. Nada.
 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Luana Carlana de Almeida Barbosa, presente!

Eu e a Lua nos conhecemos no fim de 2006. Quando nos vimos pela primeira vez, já sabíamos que se tratava de um reencontro. Eu estava com minha mãe e ela com a mãe dela. Anos depois nossas mães comentaram que nossos olhos brilharam quando nos vimos. Passamos a cultivar uma linda e intensa amizade. Estudamos teatro juntas e vivíamos o tempo todo grudadas. Ela foi minha dupla de palhaça – eu era a Tulipa e ela a Doriana, foi minha parceira de trabalhos, eu fui a Mônica e ela o Eduardo e apanhamos muito das crianças numa festa de aniversário em que fomos palhaças. Prometemos cuidar uma da outra, não importasse a condição. Ela me chamava de Nê e gostava de pinguim e pimenta. Quando terminamos a faculdade, Lua mudou-se para Presidente Prudente, mas prometemos continuar cuidando uma da outra. Sempre que podia eu ia visitá-la, e ela fazia o mesmo. Conheci todos os seus amigos e familiares e ela conheceu os meus. A gente dormia junto e passava a noite toda conversando e rindo. Quando meu pai morreu, Lua largou tudo e veio cuidar de mim. Lembro com muito amor da madrugada fria, a gente deitada no chão da minha casa e ela fazendo carinho no meu cabelo dizendo que sempre estaria ali pra cuidar de mim. Ela era mais nova que eu, mas muito mais madura. Sempre me aconselhava e me dava broncas de irmã mais velha. A Lua sempre fez de tudo pra ver todos os amigos bem, unidos e felizes. Ela sofria com a gente, ria com a gente, amava com a gente. Sempre incentivou nosso trabalho, era a madrinha do Baquetá. Tinha um sorriso gigante e lindo e olhos que transmitiam muito amor e sabedoria. Era forte, corajosa, mas ao mesmo tempo doce e suave. As pessoas se encantavam facilmente com seu jeitinho sincero, engraçado e suave. Era uma excelente professora, uma atriz incrível, uma palhaça perfeita, uma produtora extremamente competente e uma militante ferrenha. Em uma de nossas últimas conversas no telefone, ela me disse que sua missão na terra era cuidar dos outros, que sempre as pessoas se aproximavam dela para que ela pudesse acolher e ajudar. A Lua tinha os sonhos mais loucos do mundo, era super sensível e sutil. Um dia antes de sua partida, na manhã do seu aniversário, ela me mandou uma mensagem dizendo que havia sonhado que eu e o Pedro, que ela dizia ser irmãos de outra vida dela, havíamos chegado na sua casa, numa noite chuvosa. Na hora do almoço liguei pra ela e ela estava feliz da vida, pois tinha ganhado uma tenda para sua nova peça de teatro de mamulengo. Lua estava cozinhando e sua voz era serena e alegre. Eu disse que logo mais visitaria sua nova casa. Despedimos-nos com muita saudade. Na mesma noite não dormi direito, acordei com muita dor na barriga, uns arrepios. No outro dia o tambor no porta-malas do carro caiu de cabeça pra baixo e eu comentei com o Gui e a Mari que quando isso acontecia era prenúncio de morte. Uma hora depois fiquei sabendo. A Lua se foi injustamente, por conta do abuso de poder da polícia. Muitos já se foram por conta do abuso descabido da polícia. Quem policia a polícia? Lua, por você, pelos que já foram, pelos que irão, não me calarei. Não passará. Não passará. Não passará. Te amo pra sempre. Luana Carlana de Almeida Barbosa, presente.